Somos dois extremos Somos iguais Somos incapazes Somos inconstantes Somos incoerentes Somos o impossível Somos o óbvio Somos luz Somos trevas Somos raros Somos únicos Somos uma ironia Somos o impensável Somos um desejo Somos uma realidade Somos um costume Somos o que escondemos Somos o que sentimos Somos o que não podemos ser Somos uma resistência Somos uma batalha Somos tudo
O Guia do Mochileiro das Galáxias diz o seguinte
a respeito de voar:
Há toda uma arte, ele diz, ou melhor, um jeitinho para voar. O jeitinho consiste em aprender como se jogar no chão e errar.
Há toda uma arte, ele diz, ou melhor, um jeitinho para voar. O jeitinho consiste em aprender como se jogar no chão e errar.
Encontre um belo dia, ele sugere, e experimente. A primeira parte é fácil. Ela requer apenas a habilidade de se jogar para a frente, com todo seu peso, e o desprendimento para não se preocupar com o fato de que vai doer. Ou melhor, vai doer se você deixar de errar o chão. Muitas pessoas deixam de errar o chão e, se estiverem praticando da forma correta, o mais provável é que vão deixar de errar com muita força. Claramente é o segundo ponto, que diz respeito a errar, que representa a maior dificuldade.
Um dos problemas é que você precisa errar o chão acidentalmente. Não adianta tentar errar o chão de forma deliberada, porque você não irá conseguir. É preciso que sua atenção seja subitamente desviada por outra coisa quando você está a meio caminho, de forma que você não pense mais a respeito de estar caindo, ou a respeito do chão, ou sobre o quanto isso tudo irá doer se você deixar de errar.
É reconhecidamente difícil remover sua atenção dessas três coisas durante a fração de segundo que você tem à sua disposição. O que explica por que muitas pessoas fracassam, bem como a eventual desilusão com esse esporte divertido e espetacular.
Contudo, se você tiver a sorte de ficar
completamente distraído no momento crucial por, digamos, lindas
pernas (tentáculos, pseudópodos, de acordo com o filo e/ou
inclinação pessoal) ou por uma bomba explodindo por perto, ou por
notar subitamente uma espécie muito rara de besouro subindo num
galho próximo, então, em sua perplexidade, você irá errar o chão
completamente e ficará flutuando a poucos centímetros dele, de uma
forma que irá parecer ligeiramente tola.
Esse é o momento para uma sublime e delicada concentração. Balance e flutue, flutue e balance.
Ignore todas as considerações a respeito de seu próprio peso e simplesmente deixe- se flutuar mais alto. Não ouça nada que possam dizer nesse momento porque dificilmente seria algo de útil.
Provavelmente dirão algo como: "Meu Deus, você não pode estar voando!" É de vital importância que você não acredite nisso: do contrário, subitamente estará certo.
ADAMS, Douglas. A vida, o universo e tudo mais.
Não costumo postar texto que não são meus, e
serei um mau acadêmico e não colocarei a referencia completa, mas
em fim. o Douglas Adams sempre sabe como nos aconselhar e eu que
tenho falado bastante em voar de uma forma tão pessimista e bem
longe dessa forma elegante e divertida como ele o faz, agora posso me
sentir bem e novo para tentar novamente.
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